A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição e a apreensão de 52 lotes do suplemento alimentar Dietary Supplement Rosabella Moringa Capsules. O produto é fabricado pela empresa americana Ambrosia Brands, LLC, a partir da planta Moringa oleifera. A medida foi tomada depois que autoridades dos Estados Unidos identificaram um surto de contaminação por uma cepa de Salmonella resistente a antibióticos ligado ao suplemento. No Brasil, produtos feitos com a planta já eram proibidos desde 2019, o que reforça a importância de verificar a origem e a regularização de qualquer suplemento antes do consumo.
O Que Motivou a Deliberação da Anvisa
Segundo a Anvisa, o suplemento Rosabella Moringa Capsules está associado, nos Estados Unidos, a um surto de infecção por Salmonella resistente a antibióticos de primeira escolha e também a alternativas de tratamento. Essa resistência torna o quadro clínico mais difícil de tratar, exigindo o uso de medicamentos mais específicos em casos graves.
A medida publicada pela agência tem caráter preventivo. O objetivo é impedir a importação, a comercialização, a distribuição, a propaganda e o uso desses lotes específicos em território nacional.
Moringa já Era Proibida no Brasil
A proibição de alimentos com Moringa oleifera não é uma novidade no país. Desde 2019, a Resolução RE nº 1.478 da Anvisa veta a comercialização, distribuição, fabricação, importação e propaganda de qualquer alimento que contenha a planta em sua composição, seja em forma de chá, cápsulas, comprimidos, barras, pó ou bebidas.
A justificativa da Agência é a falta de comprovação de segurança para o consumo humano da moringa. Avaliações técnicas não conseguiram afastar a possibilidade de efeitos genotóxicos, que podem danificar o material genético e favorecer o desenvolvimento de câncer, além de efeitos hepatotóxicos, relacionados a danos no fígado.
Cenário Atual do Produto no Mercado Brasileiro
Apesar de a distribuidora americana ter informado que o suplemento chegou a ser distribuído ao Brasil, a Anvisa não identificou, até o momento, nenhuma importação comercial desses lotes no país. O que foi encontrado são anúncios em plataformas de comércio eletrônico, como o Mercado Livre, referentes a compras internacionais feitas por pessoas físicas. Isso indica que alguns consumidores podem ter adquirido o produto para uso pessoal, fora dos canais formais de importação.
Para quem consome suplementos alimentares, o caso reforça um alerta importante. Comprar produtos importados diretamente de sites estrangeiros, sem regularização junto à Anvisa, aumenta o risco de exposição a itens que não passaram pelos controles de segurança exigidos no Brasil. Para o mercado de suplementação como um todo, episódios como esse mostram por que a certificação e a regularização sanitária são fatores decisivos na escolha de um produto. Marcas que seguem as normas da Anvisa e mantêm registros regulares oferecem mais garantias de qualidade e segurança, o que fortalece a confiança do consumidor no setor.
Postura da Empresa Diante do Caso
A Ambrosia Brands, LLC, fabricante do suplemento, informou às autoridades que o produto havia sido distribuído ao Brasil, o que ajudou a Anvisa a mapear a situação. Ainda assim, o caso reforça os riscos de produtos importados que circulam pela internet sem passar pelo crivo das agências regulatórias locais.
Ainda não há confirmação de que os lotes contaminados chegaram ao Brasil por vias comerciais, nem casos confirmados de infecção pela cepa resistente no país. A Anvisa segue monitorando possíveis tentativas de importação e venda do produto. O caso reforça duas questões já discutidas desde 2019: a falta de comprovação de segurança da Moringa oleifera e a importância de comprar suplementos apenas de fontes regularizadas, verificando sempre a procedência do produto.



